quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Apenas 1

Sabe quando alguém fica de quatro e, da queda,
Não sabe se levantar?
Sabe quando a gente sai de si e não sabe voltar
P'ra onde estava, quando grita
E parece que o berro passa despercebido?!
Todo mundo já sabe, porque conhece a mesma história...
Sabe do espelho que é e assiste de longe
Uma vida a só se desmoronar.
Isso, porque já é certo pra todo mundo
Que ali, naquele canto, mora bem mais
Que apenas 1.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poeta da dor barata

A melhor dor é aquela que se sente e não se externa.
A que a gente diz algo. Talvez doa um pouco,
Mas acho que não tanto quanto aquela de cor,
Que pinta nossos segredos,
Que nos faz sair por aí espalhando
A coisa de que encontramos
Um novo alguém, talvez um amor, um pouco de qualquer coisa.

Acredite que o pior de tudo é não sentir dor.
É não poder dizer algo, poder sentir nada,
Porque toda dor é fruto de felicidade, que assim transformou-se
E que, por acaso, volta
De uma metamorfose sem fim. Que se acaba
Logo que se dá um basta p'r'a toda dúvida,
P'ra essa dívida que não se acerta
Enquanto a paz não encontra exatamente
Aquilo se busca.
Enquanto não se aceita qualquer condição orgânica
De certeza. Falo de andar e andar
E chegar até a extremidade.