Mostrando postagens com marcador Caderno 2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caderno 2011. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de agosto de 2014

Meio mel

Havia de falar que antes mesmo das minhas pontas longas, dos meus cachos enrolados, que assistiam cada história nova parecia sentir nada. Antes disso tudo, era como se tudo fosse um vaco, era o que pensava; pensava que assim seria d'ali p'ra frente. Mas eu quebrei a cara. Ainda que ainda bem! Quebrei, porque foi ao todo contrário. Daquelas que não batem na cara. Daquelas que fazem tirar o chão debaixo e tornar tudo uma queda livre, que, quando se cai, de tão forte o ardor, não se sente a pancada.

Eu ainda 'tava com o cabelo grande, mais ou menos como naquela vez que te vi, por acaso, me assistindo tentar fazer sucesso ao acaso. Segurei cada ponta até que me desse conta de que tudo era mais que uma trilha, um monte de passos ou um caminho que parecia meio em falso. Como um chão coberto por tacos, de madeira, em que eles, de repente, se soltam e a gente tropeça, meio que ao acaso...

Até que fui chamado um pouco mais de perto. Tinha oferecido carona um pouco antes, mas por um sei lá do acaso, fiquei com cara de intruso, de visita indesejada. Passou! Agora, é muito mais do que um simples acaso. É verdade, daquelas que não ardem e que acontecem.

Há pouco pensei, várias vezes, que estudei um pouco mais p'ra dar o melhor de mim, agora mesmo. Mas eu tinha que dizer... Tenho que dizer que tudo faz sentido; vontade de estar perto, deitar sobre qualquer grama, ter uma praça inteira, cheia de gente, como se existisse mais ninguém, além de 1 + 1.

Uma sala de cinema lotada por apenas dois, com a melhor lista de filmes. E, bem à minha frente, um par de olhos castanhos claros, meio mel de absinto, cabelos lisos, de castanhos a meio loiros, iguais aos que jamais havia visto antes, uma série de gestos que me põem a olhar p'ra ti sem intervalos... Um cheiro que fica em cada peça de roupa minha, mesmo horas depois de já estar em casa.

Eu me lembro a todo instante de cada gesto teu, de cada vez que tua fala entra em sincronia com o conjunto do teu eu ou coisa assim.

Entenda, é de ti mesmo que 'tou falando. É que todos os dias, de um tempo p'ra cá, têm sido assim...

Originalmente em: 07 / 01 / 2011

sábado, 30 de abril de 2011

Assim, assim...

Foi assim que te quis,
Sem querer fazer
Não querer sem te ver
Não querendo te ter
Antes de te conhecer

Foi assim que te amei.
Sem querer te amar
Não te amando sem ti
Depois de estar aqui
Foi assim que te quis.

Não me peça assim
Qualquer algo sem ti
Antes de tudo isto
Aqui longe daí.
Antes de partir p'r'aí

Foi assim que vi
O Mundo vir,
O tempo sorrir
E não passar feito o próprio
Tempo de ser feliz.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quando tudo não passava de carência

Parece um sinistro, amor interrompido,
Um beco sem fim, como se houvesse alguma saída...
Como se tudo desse errado
E eu não devesse estar aqui.

Parece armadilha, uma brincadeira
Infantil. Um misto de carências e sonhos
Daqueles ruins. Sarcasmos estranhos que dizem
Que o mundo é mais mundo
P'ra ti, quando alguém te dá tudo
O que tinhas, antes de tudo
Até aqui.

Mudanças que vêm depressa,
Como milagres que acontecem,
Deixam em vazio um algo em teus braços...

Palavras, gestos, em teu seio, receio,
Teu cheiro e tuas mensagens,
Tua voz ao telefone
Entregam a necessidade de passatempo
Do tempo que não se tinha.
Uma folha de Comigo Ninguém pode
Dura e viva. E eu nunca deveria
Ter visto tua pele nua mais que uma vez
Além daqui.

Duas vidas se cruzam e se afastam
Como o enredo convencional
Das coisas reais
Do mundo real, que acontece,
E ninguém acredita.

Mas, a gente aceita
Como se aceita qualquer fim.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sena

Sena é um rio, daqueles enormes
Daqueles que cortam continentes, povoados imensos.
Sena é um misto de beleza, autêntico,
Som, mar, brisa
E um monte de histórias vividas
Tão vívidas.

Sena é daquelas almas que impressionam amores,
Uma energia que transforma a intriga de viníl
Em melodia de diamante e ferro.
Sena é o princípio de muito,
Uma chuva de lembranças, de saudade
De paz, não de medo,
E de confiança que ensina.

Sena tem cheiro de coragem, de luta,
De guerra a ser vencida, não importam as batalhas.
Sena é um misto de tudo, depois
Que ele passa por nossas vidas...

Quem se despede do Sena
Sente sua falta...
Distante, até parece que o mar
Não encontra sua praia...
É impossível não querer voltar ao Sena
E sentir a sua brisa e o humor que por todo
Ele passa...

Sena não é para todos, nem para os amantes,
Nem aos iniciantes, ou bravos,
Aos fracos, covarder
Ou homens de coragem.
Sena é para quem é de Sena.

Sena é substantivo.

Sena é um sim sincero,
A sinceridade, a verdade e a reciprocidade
Consigo.
Sena não permite que as mágoas caminhem
Em seu leito de vida e de vidas
Que por ele caem por terra.

Ao Sena há inveja.
Sena é intrigantemente inconfundível.
Some ao passo de uma mágica e, de repente, dá o ar
Da sua graça, sem discórdias,
Do jeito que todos tentam
Com pouco sucesso.

Pode-se até encontrar Senas por aí
Mas, o verdadeiro, só existe 1.
O primeiro, o único, o dono de todas as obras
Que por ele navega a Arte.

Sena é alimentado pelas lágrimas
Que desceram em seu leito
Terra a dentro de seus braços assoreados.

O sucesso... É verdade...
Todos se encantam ao som sua grandeza
Indo ao horizonte.
Sena é o abrigo que vem do litoral...

Sena tem o seu começo.
Mas, quanto ao seu fim
Tenho certeza de que, de fato, desconheço.

P.S.: 02 de novembro de 1983...