sábado, 7 de março de 2009

Nublada em Tempestade

Sempre assim, tão errado até quando (?)
Tudo vai ser diferente dessa vez?
Os meus sonhos, suspensos por um fio de barbante,
Estão ameaçados
Por uma lâmina, afiada e rente.
Parecem até pesadelos...
O céu, já cinza-escuro,
Mostra a vida nublada em tempestade.
É quando peço uma seda fina
Pra não sentir frio
E um agasalho para os dias mornos.


Em: Primeiro semestre de 2005

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nem Um Dia

Bebi, pois não tive outra opção,
Pois não vi saída. Fiz uma prece para a certeza da verdade
Que tive numa canção... A saber
Se tou certo acerca do que quero
Para minha vida. Fi-lo, pois não sinto
Em outras as magias tuas,
Tua voz e teu rosto
Vinham na lembrança delas,
As partidas.
Bebi por um coração, pra não ganhar outro
E delas, não quero mais
Nem um dia.
Bebi pra ver a imagem
D’Eu indo até onde estás,
Assim como uma ida sem que seja preciso voltas.


Em: 03 / 2005

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Aprendiz e o Mestre

Sou o que nunca quisera
Um qualquer analfabeto
De ilusões e das paixões
Um aprendiz, um mestre ou algo mais...
Sou puro amor,
Um herói de razões multáveis.
Pro dentro, toda a dor
Por um fio de pura carne

Enquanto isso ou mais, sou o amante dos amantes,
O espetáculo da pena ao choro.
Sou apenas livre pra te levar
Ao fosso e à incerteza que sobrevive
E te sobrevoa,
Ou àquela felicidade que te espera
Se não te fizeres à toa
Assim que te sentires comigo.


Em: Primeiro semestre de 2005

quarta-feira, 4 de março de 2009

Enquanto Eu Quase Te Esquecia

Os raios caindo do céu dizem algo
Como as flores brotadas no chão
Uma vez Alencar descrevera essa estória
Quando uma pedra caía à beira de um rio.
As folhas, os livros e os laços,
A liga dos fatos proibidos
Mostram que o fim de tudo, daquela nossa muda,
É algo que não se partiu, pelo menos ainda...

A fita que liga esses bordões e os fatos à vida
Apresenta-se a ti como um relâmpago
Enquanto os dados jogados me dão paralisia.
Uma corda de violão quebrada,
A lenda dos fogos de artifícios,
Uma terceira vida, que talvez me atrapalhe,
Fizeram-me esquecer que quase te esquecia...
E na frente do espelho, enquanto minha imagem se refratava,
A tua se partia na minha memória
Os pés descalços, de tanto andar, sangravam,
E o teu sorriso já não mais
Fazia a minha alegria.


Em: Segundo semestre de 2003

terça-feira, 3 de março de 2009

Por Uma Outra Direção

Eu quero ler os livros que comprei e não li,
Quero montar frases...
Impossível decifrar
Quais palavras me fazem montar um quebra-cabeça
Que contém o teu nome
E saber onde estamos.
Quero que me convenças
E que me leves para onde vamos.
Os galhos, estirados no chão, d’uma árvore morta
Apontam para aquela direção,
Saindo por aquela porta.



Em: Segundo semestre de 2003

segunda-feira, 2 de março de 2009

A Minha Infância

Linda luz, ilusão que desapareceu!
Não fazia idéia do suor no espelho...
Uma fotografia da semana passada, nele pregada
Disse tudo o que acontecera depois daquela data
Luz, ilusão linda que escureceu!
Fez tempo que no meu peito sangue não jorrara...
Quis acreditar que tudo é objeto do passado,
Tentei fazê-lo, mas não consegui... Quase nada,
Senão jogos, idéias de ilusão e farra.
Quase acreditei que ainda sonhava
Quando a minha infância estava
Exposta à porta da calçada.



Em: 09 / 12 / 2003 – 20:40

domingo, 1 de março de 2009

No Amanhecer

Quero uma almofada pra amortecer o que sinto
Quando vejo um casal se beijando,
Uma máscara pra esconder o que recito,
Quando lembro do primeiro beijo,
Ou uma película pra rever o filme
Que encenamos em uma varanda
No amanhecer.
Quero um lençol pra ser usado como tanga,
Manchado de batom vermelho
Por pretexto a conseguir prever
Uma palavra que me convença
De que o que passou não se podia prever ou crer.



Em: 09 / 12 / 2003 – 20:40