terça-feira, 10 de março de 2009

O Dia Que Nunca Te Encontrara

Você me infere, faz o meu silencio e o teu pudor,
Os teus desejos são insultos de noticias
E chamam sempre a atenção de quem
Que estando de frente a sua fotografia percebe o quanto ela se desgastou tanto,
Porque passou a vida inteira guardando os próprios passos
E de si próprio esquecera,
Esquecera do dia em que o destino nunca te encontrara.
Teus dias nunca passaram a ser os mesmos,
São sempre iguais
E tua maquiagem já não pode te livrar do próprio esquecimento.


Em: Primeiro semestre de 2004

segunda-feira, 9 de março de 2009

Se Um Dia

Quando pensares em alguém, lembre-se que um dia te cuidei
E guardei uma obra viva que se foi e que não mais retorna.
Irás amar alguém, logo, sentirás o que um dia alguém por ti o fez...
Não o despreze, pra que não se vá sem qualquer volta.
Se duvidares de alguém, esqueças que um dia não o fiz por ti...
Não queria que partistes para o nunca mais.
E se um dia, outra vez, eu for esse alguém, saiba que não sou o mesmo que conheceras,
Pois o que brotara em mim não se fora nem voltara mais.


Em: Segundo semestre de 2003

domingo, 8 de março de 2009

O Ideal

Os fatos já pareciam escritos, acho
Que os li quando criança. Foi o que
Escolhi, a vida dos sonhos, a aventura
Dos loucos. O premio (?), um beijo da
Mocinha (não conhecia o “bobo”). Ainda,
A prova de que não sou dos outros, o que
Todos querem, e o contrario recebem,
Apenas de mim esperam o que foi
Projetado, construído. Do acaso nasci,
Por ele te encontrei. Responsável, poucos
Queriam; criticavam, agonizavam abertos.
Respeito, só dos poucos, para os poucos
Um produto final dos fatos. Ouvidos (!),
Para quem tem coragem, vontade. Ser
Aceito por poucos, a ser predestinado pelos
Fatos de pontes inacabadas. Não ser
Aceito, ouvido ou respeitado serei visto por
Uns montes que desperdiçam a vida
Achando, seguindo conselhos fúteis do medo;
Assim viverei com quem me identifico.
Prefiro os que acreditam (em mim, em si).
Sou os dias claros de “insegurança” às
Noites frias de certeza. A incerteza
Morna de felicidade à brisa sempre
Saturada de vaidade. Sou um aprendiz
Que aprendeu a conquistar o que quis, um
Dia, seguir caminhos que rumam, ainda,
Ao desconhecido, surgir a si mesmo
Como trilha a ser seguida – alguém a
Quem devo respeito, confiança, a ser mais
Vivo, intenso, forte nos obstáculos da
Vida, firme a cada vez que vem a
Imagem, palavra, uma mensagem,
Som, foto do que quero pra mim,
De quem quero pra mim, pra nunca
Mais largar pelo resto dos meus dias
(Dos nossos dias, pois, também, tou
Aprendendo a dividir).


Em: 23 / 03 / 2005

sábado, 7 de março de 2009

Nublada em Tempestade

Sempre assim, tão errado até quando (?)
Tudo vai ser diferente dessa vez?
Os meus sonhos, suspensos por um fio de barbante,
Estão ameaçados
Por uma lâmina, afiada e rente.
Parecem até pesadelos...
O céu, já cinza-escuro,
Mostra a vida nublada em tempestade.
É quando peço uma seda fina
Pra não sentir frio
E um agasalho para os dias mornos.


Em: Primeiro semestre de 2005

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nem Um Dia

Bebi, pois não tive outra opção,
Pois não vi saída. Fiz uma prece para a certeza da verdade
Que tive numa canção... A saber
Se tou certo acerca do que quero
Para minha vida. Fi-lo, pois não sinto
Em outras as magias tuas,
Tua voz e teu rosto
Vinham na lembrança delas,
As partidas.
Bebi por um coração, pra não ganhar outro
E delas, não quero mais
Nem um dia.
Bebi pra ver a imagem
D’Eu indo até onde estás,
Assim como uma ida sem que seja preciso voltas.


Em: 03 / 2005

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Aprendiz e o Mestre

Sou o que nunca quisera
Um qualquer analfabeto
De ilusões e das paixões
Um aprendiz, um mestre ou algo mais...
Sou puro amor,
Um herói de razões multáveis.
Pro dentro, toda a dor
Por um fio de pura carne

Enquanto isso ou mais, sou o amante dos amantes,
O espetáculo da pena ao choro.
Sou apenas livre pra te levar
Ao fosso e à incerteza que sobrevive
E te sobrevoa,
Ou àquela felicidade que te espera
Se não te fizeres à toa
Assim que te sentires comigo.


Em: Primeiro semestre de 2005

quarta-feira, 4 de março de 2009

Enquanto Eu Quase Te Esquecia

Os raios caindo do céu dizem algo
Como as flores brotadas no chão
Uma vez Alencar descrevera essa estória
Quando uma pedra caía à beira de um rio.
As folhas, os livros e os laços,
A liga dos fatos proibidos
Mostram que o fim de tudo, daquela nossa muda,
É algo que não se partiu, pelo menos ainda...

A fita que liga esses bordões e os fatos à vida
Apresenta-se a ti como um relâmpago
Enquanto os dados jogados me dão paralisia.
Uma corda de violão quebrada,
A lenda dos fogos de artifícios,
Uma terceira vida, que talvez me atrapalhe,
Fizeram-me esquecer que quase te esquecia...
E na frente do espelho, enquanto minha imagem se refratava,
A tua se partia na minha memória
Os pés descalços, de tanto andar, sangravam,
E o teu sorriso já não mais
Fazia a minha alegria.


Em: Segundo semestre de 2003