quinta-feira, 12 de março de 2009

Por Não Ver Nas Outras

Assistindo ao teu retrato, pregado no espelho do quarto,
Finjo não parecer aflito...
Hoje uso roupas debaixo do chuveiro
E ponho gelo pra esquentar o frio dos lençóis...
Quero um isqueiro para apagar a fome de distancia
E uma nuvem para pôr brilho no temporal de muitos sóis.
Quero uma vida pra me livrar do velório
Que fiz por não ver nas outras os teus olhos,
A tua voz fina que me chama de “bobo”.


Em: Primeiro semestre de 2005

quarta-feira, 11 de março de 2009

Água e Terra

Oh! Minha velha e querida amiga
Mãe eterna, feita de terra, água e pedra
Oh! Querida mãe... Eterna!
Se me amas faça-me crer que não és
Apenas água e terra.
Sei que és maestra,
Que reges as matas os sons,
Os grãos as terras,
Seu próprio povo ao sacrifício da nova era.

Todavia madre, si no eres la solución qué esperas
Para mi, dime entonces que puedo hacer al pueblo de mi tierra,
De su tierra,
Ya que ni ellos saben quien son.


Em: Primeiro semestre de 2004

terça-feira, 10 de março de 2009

O Dia Que Nunca Te Encontrara

Você me infere, faz o meu silencio e o teu pudor,
Os teus desejos são insultos de noticias
E chamam sempre a atenção de quem
Que estando de frente a sua fotografia percebe o quanto ela se desgastou tanto,
Porque passou a vida inteira guardando os próprios passos
E de si próprio esquecera,
Esquecera do dia em que o destino nunca te encontrara.
Teus dias nunca passaram a ser os mesmos,
São sempre iguais
E tua maquiagem já não pode te livrar do próprio esquecimento.


Em: Primeiro semestre de 2004

segunda-feira, 9 de março de 2009

Se Um Dia

Quando pensares em alguém, lembre-se que um dia te cuidei
E guardei uma obra viva que se foi e que não mais retorna.
Irás amar alguém, logo, sentirás o que um dia alguém por ti o fez...
Não o despreze, pra que não se vá sem qualquer volta.
Se duvidares de alguém, esqueças que um dia não o fiz por ti...
Não queria que partistes para o nunca mais.
E se um dia, outra vez, eu for esse alguém, saiba que não sou o mesmo que conheceras,
Pois o que brotara em mim não se fora nem voltara mais.


Em: Segundo semestre de 2003

domingo, 8 de março de 2009

O Ideal

Os fatos já pareciam escritos, acho
Que os li quando criança. Foi o que
Escolhi, a vida dos sonhos, a aventura
Dos loucos. O premio (?), um beijo da
Mocinha (não conhecia o “bobo”). Ainda,
A prova de que não sou dos outros, o que
Todos querem, e o contrario recebem,
Apenas de mim esperam o que foi
Projetado, construído. Do acaso nasci,
Por ele te encontrei. Responsável, poucos
Queriam; criticavam, agonizavam abertos.
Respeito, só dos poucos, para os poucos
Um produto final dos fatos. Ouvidos (!),
Para quem tem coragem, vontade. Ser
Aceito por poucos, a ser predestinado pelos
Fatos de pontes inacabadas. Não ser
Aceito, ouvido ou respeitado serei visto por
Uns montes que desperdiçam a vida
Achando, seguindo conselhos fúteis do medo;
Assim viverei com quem me identifico.
Prefiro os que acreditam (em mim, em si).
Sou os dias claros de “insegurança” às
Noites frias de certeza. A incerteza
Morna de felicidade à brisa sempre
Saturada de vaidade. Sou um aprendiz
Que aprendeu a conquistar o que quis, um
Dia, seguir caminhos que rumam, ainda,
Ao desconhecido, surgir a si mesmo
Como trilha a ser seguida – alguém a
Quem devo respeito, confiança, a ser mais
Vivo, intenso, forte nos obstáculos da
Vida, firme a cada vez que vem a
Imagem, palavra, uma mensagem,
Som, foto do que quero pra mim,
De quem quero pra mim, pra nunca
Mais largar pelo resto dos meus dias
(Dos nossos dias, pois, também, tou
Aprendendo a dividir).


Em: 23 / 03 / 2005

sábado, 7 de março de 2009

Nublada em Tempestade

Sempre assim, tão errado até quando (?)
Tudo vai ser diferente dessa vez?
Os meus sonhos, suspensos por um fio de barbante,
Estão ameaçados
Por uma lâmina, afiada e rente.
Parecem até pesadelos...
O céu, já cinza-escuro,
Mostra a vida nublada em tempestade.
É quando peço uma seda fina
Pra não sentir frio
E um agasalho para os dias mornos.


Em: Primeiro semestre de 2005

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nem Um Dia

Bebi, pois não tive outra opção,
Pois não vi saída. Fiz uma prece para a certeza da verdade
Que tive numa canção... A saber
Se tou certo acerca do que quero
Para minha vida. Fi-lo, pois não sinto
Em outras as magias tuas,
Tua voz e teu rosto
Vinham na lembrança delas,
As partidas.
Bebi por um coração, pra não ganhar outro
E delas, não quero mais
Nem um dia.
Bebi pra ver a imagem
D’Eu indo até onde estás,
Assim como uma ida sem que seja preciso voltas.


Em: 03 / 2005