quinta-feira, 7 de maio de 2009

Esperto de Sangue

Onde é que te cego, por onde me coloco, seu esperto de sangue?
Por onde anda o teu mal, transparente,
Que corre pela serpentina e sai pela bandeirola?
Em que lugar guardas o dinheiro de tua aposta?
Bem pouco, em logradouro, que cheira aos outros?
Você fareja esses outros, que singelos batem sua porta
Com a mesma razão cumprida
De doer e te descontar com uma surra de arame,
Que te rasga o busto e te liqüida,
Nesse faturamento bruto que te põe o que não te falta
À mesa.
Escorrega livre na tua grosseria de cuspir nos outros
O pão dormido que mastigas, como a paciência da gente,
Comprado a custo do teu faturamento bruto,
De custo unitário igual à tua pessoa,
Solitário, longe dos teus escravos vulgos,
Que se satisfazem com tua onipresença
Longuínqua e cheirosa, ao contrario do teu perfume caro.
Teus olhos embutidos nessas câmeras
Aumentam a quantidade de puxa-sacos
Que vão te chupar o ovo até te passar o pé na bunda
E te deixar no poço do teu dinheiro sujo.
Eu te abro o olho: onde é que te cego,
Por onde me coloco?
Seu esperto de sangue e ignorante de alma...


Em: 04 / 12 / 2007

quarta-feira, 6 de maio de 2009

E Se Fossem Minhas Amantes(?)

Não quero saber. Que você siga com tua arrogância ingênua
E eu sigo em paz, na minha, bem adiante
Sem precisar dos banhos que você me dá com água fria.
Volte-me na época de respeitar minhas amigas,
Aquelas feitas de parafina,
Dessas velas que acendem e se apagam depois de algumas horas;
As minhas amantes, que por fina força queres expulsá-las
Do meu passado,
Respeite-as, como te respeito com os teus.
Esse teu Matheus que não pare nem balança
Volte pra querer, antes dos teus, os meus.


Em: 04 / 12 / 2007

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Mundo

Lugar de gente idiota, pequena,
Tem gente que se olha e se esconde,
As vezes se prova
E se cospe como num derrame ardente.

Tem gente la fora que corre,
Que fecha os olhos
E chora o sangue que sente
Escorrer num abrir de porta.

Tem gente que não se enxerga,
Que exagera, finge esquecer os limites
Mínimos, eles, desde que pareçam pouco
Pra ficar sentado o dia inteiro...
Assistindo a vida dos outros.


Em: 25 / 03 / 2009 - 00:05

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Carnívora

Que mistério envolve a tua face nua
Judia de uma voz intrigante?
Misturada à tua fineza com palavras
E teu comportamente sutil,
Esse teu costume de pôr
Um maiô por debaixo da blusa,
Me instiga o pecado e o temôr
Em sonhar contigo...
Me tornar teu servo.

O que é que tens que me salva da vida?
Me traz coragem pra enfrentar o velho
E me desorienta do paralelo
Da vida sem fim, de uma mandinga,
Que me prende a alma
À um pedaço de carne, a que me tronara cego.

Eu te provo ao molho pardo
E, te assistindo nas besteiras que te deixam muda,
Vejo que teu olhar nasce a cada vez que te olho
Vindo em minha direção,
Logo, o preço que pagarias muda por minha atenção.

Curioso ainda te compro e te ligo
E te persigo e te digo o que de fato
Te quero (muda, nua, crua e minha...).


Em: 03 / 12 / 2007

domingo, 3 de maio de 2009

O Monólogo das Pernas

Respeite minhas pernas. Essas que me levam ao banheiro, ao quarto, que me trouxeram trabalho. Essas analfabetas de alma, pálidas e cabeludas... Por causa delas, os meus braços são roxos de queimados e minha face, branca, bronzeada, parda, como me confundem lá fora. As minhas pernas também trabalham, são escravas das minhas necessidades, da minha pobreza, da minha pacimônia...

Elas me quebram o galho, são meu transporte... Meu principal meio de transporte. Por elas, prefiro não passar vexame nos ônibus públicos e entender como tantos aleijados sonham (e como sonha!) com pelo menos uma. Às vezes reclamo até das dores que elas me causam, devido uma longa caminhada que faço, pode ser numa tarde, e que me economiza o dinheiro da passagem. Com minhas pernas, já troquei idéias, conheci cidades, apreciei as paisagens, fui narcizista, fiz sexo, conheci mulheres. E até desabafei a raiva nos objetos jogados no chão, na terra...

Às minhas pernas eu também me entrego, não por serem minhas servas ou eu por elas. Mas por serem minhas e eu delas.

sábado, 2 de maio de 2009

Apenas um depoimento...

[Depoimento escrito em um site de relacionamentos que, no momento em questão, era febre entre jovens do Brasil e do Mundo inteiro. Até então, no espaço de convivência virtual mais popular do mundo, eram realizadas as principais trocas de afetos, carinho ou quaisquer necessidades comunicativas.
Foi um momento bem bacana, que vale lembrar a todo instante do que se passou durante suas horas e dias, dos desabafos com os amigos, das brincadeiras e até dos detalhes mais insanos de raiva, estresse e desentendimentos. Complementando, é para isso que existem fatos, marcas e lembranças: para serem recordados, desbravados e revividos.]


Vive-se de alguma coisa! Dinheiro, miséria, carros, casa, renda, roubos... Mas o negócio é ter alguém 'pra dividir isso tudo! Já tentei de tudo, misérias, miseráveis ou acreditar que a felicidade 'tá na origem das alegrias alheias... Equívoco. O certo é 'tar do lado de quem realmente se sente alguma coisa. Algo forte, inexplicável. O que vem do nada e fixa-se como se existisse há dez anos. O que empalidece, mas não mata. Engrandece. O que o mundo assim define como amor... Ou coisa do tipo.

Te levanta em voo, só que diferente dos pássaros, dos pombos. Uma série de coisas vindas do além e de dentro de nós mesmos! A gente faz de tudo 'pra escapar dessas garras, só que acaba se prendendo mais ainda a elas. E aquelas noites mal dormidas, trabalhos que ficaram pela metade, almoços "mal curtidos", entre outros que deveriam dar um dia de baixas dão cada vez mais intensidade... E a gente acaba fazendo tudo certinho, vê que os limites realmente existem para serem quebrados. Serão quebrados. Até que tudo finda dando certo! (...)

É impressionante gostar de alguém. De uma pessoa em especial. Simplesmente ter (um) alguém...


Em: Primeiro semestre de 2005

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vamos Contar com a Sorte

[Poesia original da música, recém elaborada, "Não Venha Me Dizer", em parceria com Rodrigo Sena]

Vou bater a porta, mas, por favor, não a abra
Quando lembrares de mim.
Vou te mandar bilhetes, cartas, porém
Não me responda em respeito às tuas lágrimas.
Hoje, fico sozinho, não quero ninguém...
Não quero o medo, o receio ou o apreço de passar por tua vista,
Ou te jogo na cara o que de fato espero, calado e quieto...
Algumas meninas diante de mim
Me assistindo tocar as nossas canções,
Para elas, não posso expressar as saudades,
Os momentos que sinto quando lembro
Que a nós dois não existe jeito, não há volta.
(Nunca mais volta...)


Em: 05 / 2007