sábado, 30 de abril de 2011

Assim, assim...

Foi assim que te quis,
Sem querer fazer
Não querer sem te ver
Não querendo te ter
Antes de te conhecer

Foi assim que te amei.
Sem querer te amar
Não te amando sem ti
Depois de estar aqui
Foi assim que te quis.

Não me peça assim
Qualquer algo sem ti
Antes de tudo isto
Aqui longe daí.
Antes de partir p'r'aí

Foi assim que vi
O Mundo vir,
O tempo sorrir
E não passar feito o próprio
Tempo de ser feliz.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quando tudo não passava de carência

Parece um sinistro, amor interrompido,
Um beco sem fim, como se houvesse alguma saída...
Como se tudo desse errado
E eu não devesse estar aqui.

Parece armadilha, uma brincadeira
Infantil. Um misto de carências e sonhos
Daqueles ruins. Sarcasmos estranhos que dizem
Que o mundo é mais mundo
P'ra ti, quando alguém te dá tudo
O que tinhas, antes de tudo
Até aqui.

Mudanças que vêm depressa,
Como milagres que acontecem,
Deixam em vazio um algo em teus braços...

Palavras, gestos, em teu seio, receio,
Teu cheiro e tuas mensagens,
Tua voz ao telefone
Entregam a necessidade de passatempo
Do tempo que não se tinha.
Uma folha de Comigo Ninguém pode
Dura e viva. E eu nunca deveria
Ter visto tua pele nua mais que uma vez
Além daqui.

Duas vidas se cruzam e se afastam
Como o enredo convencional
Das coisas reais
Do mundo real, que acontece,
E ninguém acredita.

Mas, a gente aceita
Como se aceita qualquer fim.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sena

Sena é um rio, daqueles enormes
Daqueles que cortam continentes, povoados imensos.
Sena é um misto de beleza, autêntico,
Som, mar, brisa
E um monte de histórias vividas
Tão vívidas.

Sena é daquelas almas que impressionam amores,
Uma energia que transforma a intriga de viníl
Em melodia de diamante e ferro.
Sena é o princípio de muito,
Uma chuva de lembranças, de saudade
De paz, não de medo,
E de confiança que ensina.

Sena tem cheiro de coragem, de luta,
De guerra a ser vencida, não importam as batalhas.
Sena é um misto de tudo, depois
Que ele passa por nossas vidas...

Quem se despede do Sena
Sente sua falta...
Distante, até parece que o mar
Não encontra sua praia...
É impossível não querer voltar ao Sena
E sentir a sua brisa e o humor que por todo
Ele passa...

Sena não é para todos, nem para os amantes,
Nem aos iniciantes, ou bravos,
Aos fracos, covarder
Ou homens de coragem.
Sena é para quem é de Sena.

Sena é substantivo.

Sena é um sim sincero,
A sinceridade, a verdade e a reciprocidade
Consigo.
Sena não permite que as mágoas caminhem
Em seu leito de vida e de vidas
Que por ele caem por terra.

Ao Sena há inveja.
Sena é intrigantemente inconfundível.
Some ao passo de uma mágica e, de repente, dá o ar
Da sua graça, sem discórdias,
Do jeito que todos tentam
Com pouco sucesso.

Pode-se até encontrar Senas por aí
Mas, o verdadeiro, só existe 1.
O primeiro, o único, o dono de todas as obras
Que por ele navega a Arte.

Sena é alimentado pelas lágrimas
Que desceram em seu leito
Terra a dentro de seus braços assoreados.

O sucesso... É verdade...
Todos se encantam ao som sua grandeza
Indo ao horizonte.
Sena é o abrigo que vem do litoral...

Sena tem o seu começo.
Mas, quanto ao seu fim
Tenho certeza de que, de fato, desconheço.

P.S.: 02 de novembro de 1983...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Apenas 1

Sabe quando alguém fica de quatro e, da queda,
Não sabe se levantar?
Sabe quando a gente sai de si e não sabe voltar
P'ra onde estava, quando grita
E parece que o berro passa despercebido?!
Todo mundo já sabe, porque conhece a mesma história...
Sabe do espelho que é e assiste de longe
Uma vida a só se desmoronar.
Isso, porque já é certo pra todo mundo
Que ali, naquele canto, mora bem mais
Que apenas 1.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poeta da dor barata

A melhor dor é aquela que se sente e não se externa.
A que a gente diz algo. Talvez doa um pouco,
Mas acho que não tanto quanto aquela de cor,
Que pinta nossos segredos,
Que nos faz sair por aí espalhando
A coisa de que encontramos
Um novo alguém, talvez um amor, um pouco de qualquer coisa.

Acredite que o pior de tudo é não sentir dor.
É não poder dizer algo, poder sentir nada,
Porque toda dor é fruto de felicidade, que assim transformou-se
E que, por acaso, volta
De uma metamorfose sem fim. Que se acaba
Logo que se dá um basta p'r'a toda dúvida,
P'ra essa dívida que não se acerta
Enquanto a paz não encontra exatamente
Aquilo se busca.
Enquanto não se aceita qualquer condição orgânica
De certeza. Falo de andar e andar
E chegar até a extremidade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ansiedade adolescente 2.0

'Tava vasculhando suas fotos, lendo uma história,
Buscando por algo que encaixe com a combinação
Do vestido que usava.

'Tava procurando palavras, assistindo um filme,
Buscando por algo que incrementasse
Essa conversa de pouca data.

Cada recado, cada espera,
São cheios de versos
Espontâneos, traduzidos e diretos.
Mas ainda resta algo... Talvez
A inocência de ser discreta...

domingo, 1 de agosto de 2010

Vale vida

Vale um vale vida
A vida que leva p'r'o vale,
Um vale-transporte que leva p'ra onde a vida leva,
P´ra lá onde ela vale mais do que se espera...

Vale o que faz,
Leva o que traz.
Esse seu ar que vale um pouco
Vale um centavo de tudo o que vale.

Leva maldade e abre a porta,
Na parada pede um 'vale',
Volta p'ra casa e leva a vida.

Vale-postal, 'vale-comida',
Vale a rotina e a companhia,
Vale qualquer grito, esse sacrifício...
Parece frígida, mas é fingida.