quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Por trás da selfie

Fatos e coisas, objetos,
Pessoas, histórias reais,
A vida é real
Logo que ela é
Quando fatos e histórias fazem sentido...

Ser o que é, ao público,
O espetáculo lúdico, postado
Publicado, irreal, transpõe,
Transborda, transforma

Uma vida de invejas, de plástico,
Em realidade, 'show reality'
Da vida real inventada, criada
Mentada (a chá de menta),
Dá frescor ao hálito.

Alegrias, momentos, a quem?
A quê, por quê?
De todo, todo mundo há de crer
Que passado e presente arde(m)
Fazendo alarde.

Estória não faz parte da história.
Mas, que assim seja
De qualquer forma.

domingo, 24 de agosto de 2014

Meio mel

Havia de falar que antes mesmo das minhas pontas longas, dos meus cachos enrolados, que assistiam cada história nova parecia sentir nada. Antes disso tudo, era como se tudo fosse um vaco, era o que pensava; pensava que assim seria d'ali p'ra frente. Mas eu quebrei a cara. Ainda que ainda bem! Quebrei, porque foi ao todo contrário. Daquelas que não batem na cara. Daquelas que fazem tirar o chão debaixo e tornar tudo uma queda livre, que, quando se cai, de tão forte o ardor, não se sente a pancada.

Eu ainda 'tava com o cabelo grande, mais ou menos como naquela vez que te vi, por acaso, me assistindo tentar fazer sucesso ao acaso. Segurei cada ponta até que me desse conta de que tudo era mais que uma trilha, um monte de passos ou um caminho que parecia meio em falso. Como um chão coberto por tacos, de madeira, em que eles, de repente, se soltam e a gente tropeça, meio que ao acaso...

Até que fui chamado um pouco mais de perto. Tinha oferecido carona um pouco antes, mas por um sei lá do acaso, fiquei com cara de intruso, de visita indesejada. Passou! Agora, é muito mais do que um simples acaso. É verdade, daquelas que não ardem e que acontecem.

Há pouco pensei, várias vezes, que estudei um pouco mais p'ra dar o melhor de mim, agora mesmo. Mas eu tinha que dizer... Tenho que dizer que tudo faz sentido; vontade de estar perto, deitar sobre qualquer grama, ter uma praça inteira, cheia de gente, como se existisse mais ninguém, além de 1 + 1.

Uma sala de cinema lotada por apenas dois, com a melhor lista de filmes. E, bem à minha frente, um par de olhos castanhos claros, meio mel de absinto, cabelos lisos, de castanhos a meio loiros, iguais aos que jamais havia visto antes, uma série de gestos que me põem a olhar p'ra ti sem intervalos... Um cheiro que fica em cada peça de roupa minha, mesmo horas depois de já estar em casa.

Eu me lembro a todo instante de cada gesto teu, de cada vez que tua fala entra em sincronia com o conjunto do teu eu ou coisa assim.

Entenda, é de ti mesmo que 'tou falando. É que todos os dias, de um tempo p'ra cá, têm sido assim...

Originalmente em: 07 / 01 / 2011

sábado, 23 de agosto de 2014

Dentro de um apartamento

Tem um pedaço de mim no passado
O melhor dos passeios, os anseios,
A coragem,
Mas o meu nascituro parece mentira
Dentro de um apartamento que serve de refúgio
À rotina, à dúvida, ao futuro que vem e vai
Igual ao passado.

No medo da escolha, na incapacidade dos acertos
Nesse jogo de tentativa e erro
Prevalece a esquizofrenia que já toma conta
Do seu pedaço em algum pedaço da minha cabeça.
É uma quase tortura a solidão, as vontades,
A capacidade de fazer tudo verdade
Jogada na lata do lixo.

Livros, delírios, drogas,
Tudo isto já não basta...
A vida é bem mais real que isso.
E eu aqui preso a um monte de desejos,
De verdades. Pensar demais é perigoso, cansa...
É como caducar hipóteses até que se torne vítima
Da própria caduquice.
Enquanto isso, a vida segue passando bem na minha frente.

Perde-se o medo do escuro, do mundo do outro lado da rua
Da vida e da morte, aprende-se melhor a gastar dinheiro
A ganhá-lo e a compreender que ele se faz presente
Na sua suficiência, para bem além do que se pensa.
Mas, de que adianta mobília, segurança, bugigangas,
Pares de tudo o que nos calça os pés e as mãos
Se a vida não passa de uma prisão
Dentro de um apartamento?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

(Que) Culpa(?)

Cada perfume que usas, cada cheiro de mofo na tua blusa,
Em cada instante que olhas nos meus olhos
Há um profundo em mim que mergulha em tua alma,
Se perde no teu labirinto extenso de dúvidas e vontades...
Se desencontra na tua carnificina de cores, caras e formas.

Eu apenas te desejo sem culpa
Inconsciente do que faço, dos erros que cometo,
Do pecado que me assola em cada instante que te imagino sem blusa.
A cada palavra que articulas com tua boca, cada frase dita
Conquista como se me seduzisse com tuas curvas,
Teu corpo despido, tuas peças íntimas...

Tua pele, teu rosto, o cheiro do teu corpo,
Cada minuto distante parece um mundo ainda longe no horizonte
E das vezes que me fiz homem em tuas entranhas
Senti tuas pálpebras agonizarem, como se sussurrasse algo,
Como que quisera algo revelar aos meus ouvidos...

Até tua respiração me priva de cada dia igual,
Do passado mórbido, intolerante
Dos erros de pavio curto que me assolam os dias de hoje.
Sempre quando vens, sempre, esqueço de tudo,
Completamente, como se me privasse
De mim mesmo, do eu triste, insolente, inflexível,
Dá máquina construída em mim dedicada a corrigir erros
E a não cometê-los mais.

É como se eu olhasse para dentro de mim
E não me reconhecesse, ainda que me atirasse
Em mim mesmo, na minha essência, nos meus instantes... Sinto-me assim.
Desejei ser assim, assim, quis estar. Quero que tudo continue
Desta ou de outra forma, como se nada também fosse tudo
E tudo não tivesse fim.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Litígio

Se colar, colou tua vaidade, tuas viagens, uma cara de paisagem... Nesse mundo de imaginação fértil, nada é inerte aos fatos que acontecem. O mundo não parece disposto a fazer a nosso gosto o prazer do ócio, o desprazer do silêncio, a vontade má da natureza animal de um humano que grita como lobo sua superioridade aos demais bichos da floresta. O homem por dentro é uma selva.

O instinto do homem faz parte da irracionalidade de suas escolhas. O homem raciocina quando erra e pára no mais alto grau de felicidade, libido, prazer.

A burrice do homem é o que desperta na gente a natureza da carne. Nenhum homem é exceção ao estado que o define como igual a todos os demais animais. O homem faz escolhas e erra. Assim como nós, teimam em perceber o engano e insistir no erro. Esse mesmo homem não tem jeito...

E o seu conserto está em seguir seu caminho de acordo com seus conceitos de certo e de correto, como se o erro não batesse em sua porta, como se seus desacertos não fizessem parte do litígio que o leva ao seu próprio desespero de querer fazer tudo outra vez.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

11:11

Era sempre o que o display da minha TV tinha para me mostrar.
Depois que você se foi, fiz uma infinidade de coisas!
Mudei pensamentos, minha vida, algumas filosofias, fiquei só,
Senti frio e tomei rumo...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Envelhecer antes que seja cedo

Fiquei feito pedra, duro, distante, com azia ainda no primeiro momento. Fui enganado pelo desejo adolescente que já não existe, questionado e aceito com uma mentira quase flagrante...

Não fui duro com ela, o fui comigo. Desapego-me muito fácil depois desse sofrimento todo, das voltas da vida, da reviravolta sem qualquer desejo, fatos acontecidos sem almejos, uma barbárie de coisas, como se cada dia ou sol nascido fosse um dia de trégua em uma prisão.

A vida parece uma carceragem, com vigilância, viaturas e uma sombra de fatos que te rodeiam. É como se houvesse um guarda o qual te vigia lá de cima ou uma enfermeira obesa e rude que olha para ti com ar sádico depois de te colocar em uma camisa de força...

Eu não posso chutar o balde justo agora, pisar o acelerador do carro com vontade ou perder o juízo em meio a uma multidão falsa de valores. Ainda que tenha vontade, ainda que enxergue isto como a mais pura e natural das soluções; ainda que canse do destino natural dos fatos e fatores.

Ainda que reconheça o erro, qualquer fatalidade, o desejo e a diferença entre sentimento e vontade, a dureza não está na mudança, no apoio inerte ou na sacanagem dinâmica. Mas, no envelhecer ainda na juventude e em uma vida cujo rumo foi traçado tão cedo... Quase ainda jovem, com os braços para trás, toda vez que me flagro pensando na vida, é como se eles estivessem algemados... Enganam-me, vez ou outra, quando penso que, de verdade, não poderei cruzá-los novamente.

Envelhecer dói, mas, sofrer as consequências da velhice precoce é que maltrata...