quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

À luz de vela

Tem um pedaço de tudo pra falar de tudo um pouco.
Tema de pouca envergadura,
O imoral da palavra bela,
A beleza da impureza de falar o que não presta
A quem se doa ao luxo de assistir reis
Pregando besteira com cara dondoca
Enquanto o mundo ri de sua beleza
Que não tem nada de coisa bela,
Sabe tudo sobre o nada
Iluminismo iluminado à luz de vela...

Um mundo de cacos, telha, quebrado no chão
De cara lavada, alma lavanda
A salvo da gentalha gravame,
Gente que se põe a posse
À venda, vergonha na cara, quase nada
Que nada teria gravada à face o que diz
Verdade, desgraça vendida na praça,
Diz mentira a tom verdade
Vendida inverda verde de graça.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eu só!

Estar só é como estender a mão a si,
Abrir-se consigo, à luz do horizonte
Em meio à poeira da rua, calçada vazia
E ocupada por gente desocupada.

É compreender a si mesmo e sentir-se bem
Pelo simples fato de estar só;
Ter ninguém, do lado, do outro
Não reclamar, fazer muganga, não ser reparado!
Só estar está para aquele
De bem com a companhia de si!

Deixar toalha na cama, molhada,
Usar ar condicionado, ventilador,
Chuveiro elétrico ou banho frio
Enquanto a manhã suspira o seu despertar,
Deixar-se só é viver em guerra com o que pensa
O bom vivã da vida a dois.

Estar só é escolher companhia,
Ouvir desejos, desejar só e despertar quando bem ou mal
Entender. Levantar não tem hora. Ter a si
É entender a ausência de dividir com qualidade
Os próprios desejos.

É compreender que a solidão é necessária.

É compartilhar a experiência do pequeno
Sendo grande por dentro
Dentro de um apartamento pequeno.
É viver grande a liberdade
Dentro de um carro pequeno
Ou imaginar grande dentro de um banheiro
Pequeno!

A solidão não é antiquada.

Só estar também é estar de bem
Com a pequena flora que habita
O próprio habitat
E com o grande mundo que permeia a vista
Enquanto o mundo diminui de tamanho
Para quem, indiferente do bem ou do mal,
Prefere, vida qualquer, companhia,

Estar só é decidir por si até sentir-se bem
Com o dividir da companhia!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Felicidade (Feliz Cidade)

Não importa onde, lugar
Com que, ninguém,
Felicidade é estar nada aquém
Nem além do que se viu
Do que se vê.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Persianas

Páginas, cadernos, fotografias,
Pessoas, histórias reais,
A vida é real
E seu porto seguro
São fatos que ficam para trás...

Uma vida de tréguas,
Um reality show de guerra
Da vida inventada
Persianas abertas,

Brisa do mar que vem da janela.
Seu cheiro não deixa esquecer os anseios
De voltar atrás.

No tempo, aos dias, às horas que corriam
E corriam...
Eu sei, um dia, a gente se encontra

E termina de dizer o que devia.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Do fim, o tom

Desculpe-me pelo amor banguelo,
Qualquer sorriso, a minha própria cara
E as poucas horas que me entrego!

Perdão pelo vento possante do som
E a frieza do medo, do fim, do tom!
As palavras são leves desabafos que me corroem
A carne, o peito, os dentes...

É que cada lembrança
Distante não justifica mágoas mal curadas,
Palavras mal escritas, pensamentos mal interpretados.
E a distância traz à tona o medo do fim de cada passo,
Da ventania úmida de mormaço,
E da brisa repleta de cheiro de barro
À luz da chuva.

Porque toda ausência, nua e despercebida
A insegurança despida, disfarçada
Traz o medo de te ver de novo
Em cada passo.

Em algum momento de 2008.

sábado, 30 de agosto de 2014

Homo sapiens sapiens, 'homo-inutilis'

Mente comum é aquela que vê em outros superioridade e em si mortalidade. É o que tenho ouvido, por exato, nos últimos dias. Não existe perdedor, até que se faça o esforço devido para sê-lo. Qualquer estrada cobra seu pedágio de entrada e saída e percorrê-la é inevitável, tanto para quem anseia o cosmos da 'cosmo-pós-modernidade' como para quem decide pela preguiça.

É bom que não se mantenha parado e no meio exato do caminho de uma estrada, porque todo caminho o qual se percorre é susceptível a algum ou todo e qualquer tipo de intempérie; um intenso sol de meio-dia e sua quentura toda; incomoda, flagela incômodos e fracasso, arde até a preguiça e, à vaidade despida, queima e tortura a pele...

Falando em vaidade, lembremos que tal não se trata apenas de um sentimento compartilhado pelos mais inconvenientes. Vaidade é um sentimento que não está para todos, não o é para todo mundo. Vaidade está para quem faz poder, merecer e ter por direito por ter feito pertencer. Mais que um pecado capital, difere pessoas  e indivíduos. A vaidade mensura e distingue fracos e fortes, vencedores e perdedores, Josés e Antônios. Vaidade é tão natural ao humano quanto a filantropia aos bichos.

Mente de baixo teor não atinge o patamar da vaidade. A humildade existe para todos e é característica da história do homem, do seu surgimento ao patamar homo sapiens sapiens. Humildade e vaidade podem parecer antagônicos entre si, mas convivem tão bem lado a lado quanto um casal que anda de mãos dadas pela rua. O ódio daqueles que se dizem humildes aos vaidosos não passa, na verdade, de frustração do insucesso e da incapacidade de jamais ter atingido colocação social de vantagem. O vaidoso se sente, se exibe e deixa claro para todo mundo o quê quem ele é. Só que o faz com a consciência de que deve nada a ninguém e ninguém mais. O frustrado, o anti-vaidoso, não... Deve ele explicações ao resto do mundo que justifiquem o seu insucesso.

E um modo d'ele se explicar é posicionando-se às margem de vencedores, expondo-se ao ridículo e aceitando sua condição inútil do ser rebaixado que é. Quando essa maré inteira passa, aceita a condição finita de ser pacato e limitado, de conquistas simples e sem histórias doces. É isto o que o ser humano tem que entender, que ele não está aqui para isto. Não somente para isto, ele pode e deve querer mais.

Pessoas assim, limitadas, são danadas para cortarem as asas alheias. São ótimas desmotivadoras e perfeitas anciãs pregadoras do 'homo-inútilis'. Não podemos ser assim, visto que, onde quer que estejamos, avaliamos, somos avaliados e de alguma forma responsáveis pelos avanços ou retrocessos de alguém, ou de um grupo. No fim das contas, servimos como exemplos para nossos semelhante.

E é bom que não sejamos um tipo de exemplo a não ser seguido. Sucesso não é para todos. Quer dizer, é, sim, para aqueles que fazem por merecer serem seguidos por milhões!

Originalmente em: 15 / 02 / 2012.
Publicado em Beta Poeta

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Deus é um delírio...
E eu, na minha fé, deliro
Em sua crença, tamanha
Coerência maior, muda

A cada dia,
Nascer de todos os dias
De cada sol, neblina, tamanho
Porque cada dia, deliro.

Cada dia é um delírio...