domingo, 30 de agosto de 2020

Vertigem

Tua pele, pelo loiro teu
Cheiro,
Esses olhos mel-negro que completam
Querer
Ver você, ter você,
Teu nariz,
Face tua pele, a ponta dos teus dedos, a forma
Àquela que respira
E que se faz e desliza face
À própria face, a tua

Querer, leva a ter
Você 
Ser, nascer 
Quisera ser quem era, o quê,
Mas, sem estar,
Faz parecer que a vista faltasse, vertigem
Que os olhos agonizassem,
Igual sumisse à face os mesmos olhos,
A capacidade de ver,
Pele, sentir
Dente, morder, dedo, deslizar...
Boca, saliva, como quisera sentir gosto
Com a ponta da língua na pele

É como se nunca tivesse sido
Tido

E jamais tivera sentido,
Aprendido.
Como fosse o que restasse ter 
Necessidade,
Viver, comer
Como energia fosse
Desejo fora
Matar a sede
Pegar, tato
Descer ao fundo d'água seduzido
E subir...

Flutuar sobre o óbvio que faz querer
Ser, crescer
Como se soubesse que era grande 
E estar tornasse imenso.
Como soubera para quê
Ser, haver
E conhecera o tamanho que tivera

E depois percebesse
Que gigante é o tamanho que se cabe
Coubera
Mesmo antes
E só depois de ter.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Do pouco que se sabe

Esse misto de vontade e culpa,
Fuga, desejo,
Não cheira, dá sede, saliva,
Como se pele e pelo fossem aroma
Açúcar.
Por vezes, língua e nariz te pedem

Cada ponta, pedaço de pele
Cheiro, vício, queratina
Como o viciado, a cocaína, o obeso,
A comida
Por hora, o corpo age como se fosse
De ninguém 

Cada pedaço da face que é tua, teus glúteos,
Basta que te veja, essa cintura 
Esse desenho todo que custa aos olhos
Crer enquanto passeia sobre si
Com a própria retina
E aprecia...

Que seja teu o cheiro,
Pelos, hormônios,
Ou pelo menos do que sabe
Enquanto o agora, o que vir,
O que não se perca de vista,
Dure o tempo que for, que baste
E que se perca da minha vista.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Bala de festim

Era felicidade, mas voltou a sucumbir 
Ilusão, aproximação,
A tua mão na minha, o perdão 
Pelo passado e você quase que sumia,
Eu desaparecia, a gente quase se perdia 
Mas, eu não sabia que essa felicidade 
Era como bala de festim,
Não mata, mas machuca 
E dói enquanto deixa vivo...

Um não que talvez queira dizer sim, 
Nada que afirme
Ou que liberte 
Ou desarme...
Só queira correr livre 
Enquanto aventura e fantasia se tocam,
Se encostam, se trocam,
Com o corpo que se toca e com a alma 
Que vaga e que não pode ser minha.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

A Passagem

A vida fica fácil 
O mundo, leve...
Parece que aquela vontade de sentir vontade,
Aquele desejo insano de sair de casa,
Ver a paisagem pela janela, esquecer da face
Que cada problema tem 
Sofrer assédio, sofrer (de qualquer forma),
Parece que tudo isso fica pequeno, perde tamanho...

Eu já sabia como era viver a vida, como fazia sentido 
O que eu queria nessa estadia 
Passageira (e que não queria que passasse).
Que dure um instante, alguns dias 
Que durem como têm durado,
Sido como têm me atravessado
Ou que sejam como realmente são 
Como o são nos dias de hoje, nessa história,
Desde o primeiro dia que foi (estória)...

Eu não quero que demore,
Só não quero que tudo isso passe.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Esse escuro

Esses dias turvos, a ausência de claridade, clareza
Humanidade...
A razão escura que toma conta da mente das pessoas,
Muda. A arrogância e essa ganancia toda, profunda,
Se afundam
Como barco de papel que boia n'água
Cristalina, de sabão
Ou da piscina de urina e cloro
(E sem despacio p'ra pensar e p'ra quem pensa)...

Essa escuridão toda desperta vontade,
Desejo, ansiedade,
Faz pensar em mergulhar
Descer até o fundo, esquecer (melhor quanto mais profundo)
Mesmo que não se possa respirar
Debaixo d'água, a mais imunda, como nesse ar de poeira
E sujeira.

A vontade que dá é de descer até o fundo
Ainda que não se possa respirar
Nem mais subir de volta,
Nem ver e rever quem mais se gosta
Ou o que se quer,
Tudo outra vez, mais uma vez
Ou lembrar da melhor parte disso tudo
Que se viveu até aqui
Como se não precisasse viver mais
Ou mais uma vez...

Não sei bem mais se há ou não vontade
De viver
Ou de seguir...
Mas, que o corpo pede ar, não vai aguentar,
Eu sei que pede...
Ele precisa de ar
Vai implorar, clamar piedade,
Suplicar p'ra respirar...
Só que ainda que essa poeira toda,
Essa sujeira,
Entupa os pulmões e engasgue
Essa vontade de viver, de novo, passa...

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Hoje Vida

Vida de pouca vida,
Aflição aflita...
Parece crise, essa vida de hoje em dia
Bem esquisita.

As pessoas, a fôrma, a forma
Das desculpas que não colam
A justa forma que não justifica.
Essa vida que apanha mais do que explica de si
E se explica...

Cega retina, magoa
A ferida que pede remédio
Não sara e nem pede p'ra nascer.
Essa vida de hoje estuprada
Bela e vilipendiada

É vida
Ainda que o Mundo peça
Sem culpa (ou pedir desculpas)...
A vida de hoje, esse gente toda que vive
E agride
Nega o que diz
E disse...

terça-feira, 26 de junho de 2018

A la Francisco

Já não jas como antes.
Queixar-se, aludir... Sua voz despiu-se e seguiu no horizonte.
Outra ou de uma vez só, por descuido, meu
Ou pelo excesso de cuidado
Tranquilidade...
No relembrar daqueles tempos que se foram
Nesta estampa de carne, pele
Sua imagem, desenho, não contemplam
Nem são contemplados pela paisagem que se forma
Na lembrança dos que ficam...
Das horas aqui ou do lado de lá do novo mundo
Essa coisa de filho, pai,
Avô...
Se presságio, é a parte que cabe desse lado de cá que busca alívio
Faz sentido haver história, raiz,
A matriz do resto de muitas vidas
Ou do iniciar de muitas matizes...
Se fui, sou(l)...
Um dia no sobrenatural do ser, haver,
Ali estar
Diz-se meu, nosso, fazer sala
Visita ou simplesmente chamar pelo nome
Se serei...
Estarei na zona de conforto do que havia
Pra esquecer do mundo...
Se de hoje em diante
O carinho pelo nome que chamava,
Repetia duas sílabas, como aprenderá
Na infância, criança com esperança de atenção
Colo,
Não será bem o mesmo
Neto...
E ainda que baste, haja sentido
Esses anos todos, ser, essência
Ou essa forma divina de haver
No seu lado ser
Eu
E aquela parte que lhe cabe
Especial, só teu...
Essa parte vi, ser, fui parte
O estado da arte na parte que lhe coube,
Partir e estar ao restante das horas, tempo
Que a mente, sã, fraca, lúdica
Der lembrar!
Fica essa semente lúdica que plantou
E vai essa falta que chamam saudade...