segunda-feira, 26 de julho de 2010

Meio de propósito

'Tava tímido, com os pés no chão
Meio estátua (acho que de propósito)...
Havia pouco a dizer com o muito que tinha guardado
Mas era só e me veio aquela hora que não esperava.

Por várias vezes nos deixaram ' sós,
Fugiam, porque queriam ver algo!
Parecia uma aposta,
Não me era esquisito, pela cara,
Mas ainda desconfiava de tudo...

Tarde da noite, já tinha esquecido,
Estava em paz e, de repente, enfim,
Por um grito, chamei e fiz um pedido
E tudo ficou exatamente onde deveria...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Esse teu ar, essa maldade

Me acabo em pedaços
Quando vejo tuas fotos,
As tuas mensagens
Subliminares, intocáveis, que no silêncio
Penetram meu espaço, devagar,
Como esse teu ar de inocente.

Você esconde um desejo,
Algo sadio, natural, de um ser mortal
Bem preocupada com a moral
E com alguém que te cerca
Mas não disfarça o segredo dessa tua vontade de ficar perto
E eu espero, galanteio bem devagar
Com a cabeça no lugar de quem não quer nada...

Talvez você pense que eu vá até onde está,
Tive essa idéia esses dias...
Mas é que é esse o meu jeito!
Mesmo querendo, nesse tipo de jogo,
Me jogo como um selvagem
(Quando o risco é pequeno...)

E você sabe que a tua vantagem é que me faço idiota
E vou mesmo, cheio de ar, de gás,
Até sabendo que, por pouco, vou
E acabo quebrando a cara por nada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

[79 anos...]

Um dos melhores prestígios,
Um dos melhores almoços,
Uma das melhores festas!
Foi o melhor aniversário, com dos melhores encontros!
A melhor sabatina e a melhor das brigas,
Era de bela o discurso, no mesmo instante, sua graça!

A melhor das batatas, o melhor dos picados,
O melhor par de sapatos,
A melhor xícara de chá.
O melhor do café,
A melhor receita do melhor remédio,
O melhor bolo coberto
E o melhor dos presentes: sua presença!

A melhor saída, o melhor dos elogios,
A sinceridade era a melhor parte
No melhor do seu ar inocente...
Atenciosa, a que nos unia,
Era o melhor motivo p'ra dormir fora de casa
Alguns dias.
Ensinava sem querer que o melhor de tudo
Era a própria simplicidade, sua.

A melhor das histórias, o melhor dos discursos
A melhor das birras de galo
E o melhor do vestido coberto
Na sua postura senhora.
A melhor das avós, no melhor das tias
A melhor, segundo netos e sobrinhos.
A melhor rainha dos carnavais
Da massa ao esporte fino.

O melhor da saudade, a melhor lembrança,
A melhor conversa,
O melhor motivo,
Era ali que se dava a melhor gargalhada!
O melhor puxão de orelha, o melhor passado,
A melhor das vizinhas,
A companhia daquelas das titias.
O melhor pedido de fica.

O melhor dos meus 20, a melhor ansiedade,
O melhor cuidado, no melhor calor
A melhor ida à praia.
O melhor do sábado à tarde
'Tá no melhor do meu passado inesquecível.
O melhor jantar, na melhor despedida,
A melhor insistência
E o melhor cuidado.

A melhor dança, a melhor queixa,
A melhor mãe da melhor família
A melhor obra de lembrança e de vaidade.
A melhor saudade da que melhor acolheu...

É que vai fazer muita falta
Essa sua autenticidade.
Não há queixa, dúvida, confessa,
Já está no melhor de tudo
No melhor do meu lado,
Essa sua melhor parte.

('Maria Amaro', :) 1930 - 2010 +)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Depois de crescidos 1.1

Acho que me enganei
Bem pouquinho, talvez por besteira,
Foi naquela mesa ou talvez antes
Por bem pouco e você ficou distante...

Foi um pedido de favor
Me enganei de novo e todo errado
Te pedia algo, mas você não ouvia...
Queria uma lima p'ra alisar tuas asas.

Tudo ficou estranho, cinza,
E eu feito menino cai no chão duro.
Suspenso pelo pé que não pisava
Pensava que o chão era macio,
Depois da queda, fiquei dolorido de dúvida...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Depois de crescidos

Já não é estranha
Essa vontade doce,
Esse frio na barriga que esquenta as orelhas,
Esse chão macio sem meus pés nele.

A gente se parece, se brinca, se gosta
E esnoba a palavra que define nós...
É uma pequena saída que evoca
Essa vaidade de te ver.

É que a gente sabe disso
Em tão pouco tempo,
Temos um passado tão parecido
E um ciume de qualquer coisa
Tão distantes, calados, cada um sabe do outro.

É uma desconfiança gostosa, medrosa
Infantil, que nem parece vir de dois adultos.
É até um insulto dizer tudo tão depressa...
P'ra quê tanta pressa, se no fim já sabemos
Que história toma esse final feliz?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Minúcias femininas

É que você é bem diferente.
Eu me empolgo com outro desejo,
Acho que bem distante do teu...
Você até tenta e esnoba,
Mas acaba abrindo o jogo.

Tua beleza é exótica
E tampouco interessa os detalhes dos outros.
Os padrões afora dos traços marsupiais
São pequenos detalhes, que, bem observados,
Arrepiam...

Fala tão pouco querendo falar,
Descreve os desejos sensatos e íntimos
Da noite p'r'o dia, da areia p'r'o mar
E logo depois, joga a razão fora,
Se perde, se justifica

E indica uma luz bem distante
P'ra arrumar motivo
E virar um ser que ri e volta
E depois chora.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Seu silêncio

Bacana é o vinho da beata
E tem quem queira encher a cara
Com o seu sangue tinto...
Engana de tão vermelho.

Na saida a exploram
E dizem que o preço que se paga pela vida,
É um gole suave,
Acho que voluntário, mas forçado,
Quase como seus litros de saliva
E descanso de pernas...

Ela não quer, arremate,
Mas não a faça esquecer, amante,
De que o verdadeiro prazer não se sente
Da carne pela carne,
Mas do encontro pervertido entre almas
Ambulantes.

Ela não paga quando quer
Ter o mesmo que um outro alguém procura
E se cansa em tanto tê-lo
No instante em que se incomoda
Com muito
E quem abusa, com tão pouco...