quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Distância

E essas cobranças, que mal fazem?
Que sufoco é esse que me reparte(?), que horror(!)
Brincar de jogar fora, antes pensar ser expulsa,
Antes mesmo suja de lama, deitada na grama! (...)

P'ra mim, você fica nua,
E se finge abismada depois de ter dado a mão,
Ter cometido um pecado e levado um não.
Se faz de pura por ser esse pedaço de carne crua...

Você é a sobra de um molho,
Tua carne, o resto servido àlguém, só.
Não finja, não fuja, não machuque,
Não pule da ponte de água e gelo no fundo.

Não sou porto seguro de aventura
Nem ventura da altura que pensa medir
A distância
Entre teu pé e minha nuca.


Em: 05 / 01 / 2008

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Paz Muda

Tua blusa suja e o teu café sem açúcar
Tua pele nua coberta de loções caras
Tua paz muda, tua formosura (sexy), crua
Tua chuva de prata, de pregos,
De cristal, azul, sem gelo,
Essa mesma chuva negra de vontade...

Tua fantasia de desejos e cores
Televisionadas
Nos beijos regados de novela,
Tua alma lavada a barro
Run profundo
Esse teu mar escuro e confuso

Imenso, tento ser ganancioso,
E me perco no teu medo de chuva.
Esqueces que estás com a blusa suja...
É normal que chegues sujas
Um dia imunda.
Nessas horas é que é comum que te provem a carne crua...

Não te confundas ensoça
Também não peças pra que te ponham açúcar no corpo.


Em: 03 / 01 / 2008

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Que é M'Eu

Há pouco você bem me matou
Depois chorou.
E infelizmente tenho que te proibir de atrapalhar minha vida.
A minha ida, minha carta de despedida, não te diz
O que por ora se passou esses dias...

Essa coisa de família servida feito sobremesa
Já não pode te salvar de qualquer solidão
E mesmo que a separação nos console
Há de se afirmar que chegou a hora d'eu sair,
De ir embora.

Meus planos, meu rancho, meu gancho p'ra pendurar chapéu,
Minha sala e minha televisão,
Minha programação assistida até tarde da noite,
Minha liberdade,
Não permitirei que vire arte, peça de museu

Ou que fique plantada no chão
Deixando cair a minha personalidade,
Feito as folhas das árvores.
Sabe daquela minha vontade de querer ser
Sempre eu?


Em: 01 / 01 / 2008

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mormaço do Dia Seguinte

Não saia por aí vagando à noite
Nem se jogue fora.
Também não se jogue ou se deixe cair
Ao chão,

Apenas peça para abrir o portão.
Algumas palmas se fazem o bastante...
Tem um pouco d'água servida no copo,
Acho que um resto de comida,
Algum prato sobre a mesa...

E olhe para a esquina.
Lembre-se que no fim do dia o sol esfria!
Use o chuveiro na água fria,
Isso economizará energia.

É comum pensar n'uma batida depois do banho...
Estender a toalha úmida na cadeira,
Escrever na porta da geladeira

A programação da louça da cozinha,
Quem vai na padaria
Comprar o café e o jantar de todo dia...


Em: 18 / 12 / 2007

domingo, 10 de maio de 2009

Como uma Gaivota

Dá-me uma segunda, uma quarta de paz!
Você ainda insiste com essa estória
De me tratar dessa forma?
Respeite-me antes que eu te desrespeite
Com uma outra tão qualquer o quanto você me faz

Pra si mesma.
Já não devias ter medo da minha antiga amante
Ou das antigas que você tanto insiste em flertar,
Mas dessas novas que me aparecem,
Que as desejo e me despeço...

Elas mais merecem à medida que você não se traz.
Enquanto procuro a ideal
Essa sua ideia continua cada vez mais batida,
Ideia que vai e que volta,
Que voa como uma gaivota
E pousa no mesmo lugar.


Em: 18 / 12 / 2007

sábado, 9 de maio de 2009

Deixa

Deixa-me aqui no infinito
No meu mundo de ideias
Mesmo que elas sejam fracas, sem nexo... Esse lar aberto.
Deixa, que eu fico aqui no meu chão. No meu quintal de papelão

Cheiro minhas próprias flores
Que plantei e te dei algum dia
E no dia que as quiseres
Deixa, que não as dar-te-ei.

Deixa, que tem nada de mais
Cobranças demais, joguinhos de paz
Dessa infância que te habita e te faz.
Deixa, que essa fase passa...

Bem logo quando eu me for.
Deixa, que ainda te dou motivo
Pra entender o porquê d'eu não te querer
Batendo em minha porta.
Assim que voltares, já terei ido embora.


Em: 17 / 12 / 2007

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Fim

Ainda que estúpido te escreva uma carta
Já não te espero, nem te venero,
Nem te aconchego nos meus braços
Ou te empresto os meus abraços.

Por causa disso, ontem tive um pesadelo...
Eu me perdia ao acariciar teus cabelos
Sem destino, agoniado
E alguém insistia em dizer-me
Que a minha sede se matava com meu sangue
E a fome com meu próprio braço.

O espelho do quarto todo estilhaçado
Tinha rasgado as nossas fotos com seus cacos...
Eu vi tudo isso sobre um vestido amarrotado
De uma mulher que chorava pelo fim.


Em: 16 / 12 / 2007